domingo, 18 de abril de 2010
"Quando olhamos em torno de nós, nos deparamos sem cessar com homens que, durante toda a vida comeram ovos sem notar que os mais alongados são os mais deliciosos, que não sabem que uma tempestade faz bem aos intestinos, que os perfumes são mais intensos num ar frio e claro, que nosso sentido do paladar não é o mesmo em todos os pratos apetitosos para a boca, que toda refeição em que proferimos ou escutamos belos discursos causa dano ao estômago. É inútil não ficarmos satisfeitos com esses exemplos de falta de espírito de observação: cumpre confessar realmente que as coisas mais próximas são malvistas pela maioria das pessoas e raramente analisadas. E será isso indiferente? - Consideremos, enfim, que dessa falta derivam quase todos os vícios corporais e morais dos indivíduos: não saber o que nos é prejudicial na composição da existência (...); ser ignorante nas coisas mais mesquinhas e mais usuais - é o que faz da terra, para tanta gente, um prado de desgraça."
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