quarta-feira, 28 de julho de 2010

Na noite (De volta ao Viajante e sua Sombra)

A partir do momento em que a noite irrompe, nossa impressão sobre os objetos familiares se transforma. Há o vento que se esgueira como que por caminhos proibidos, sussurando como se procurasse alguma coisa, aborrecido por não encontrá-la. Há a luz das lâmpadas, com seus trêmulos raios avermelhados, sua claridade cansada, lutando a contragosto contra a noite, escrava impaciente do homem que está acordado. Há a respiração daquele que dorme, seu ritmo inquietante sobre o qual um cuidado sempre renascente parece tocar uma melodia - não a ouvimos, mas quando o peito do adormecido se eleva, sentimos o coração apertado e quando o suspiro diminui, quase expirando num silêncio de morto, nós nos dizemos: "repousa um pouco(...)"
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